A constelação do Amor e do Sorriso




O mundo nos prega várias peças e muitas vezes nos pega com tanta surpresa, que a ficha demora cair. Estamos vivendo tempos em que a pandemia tem nos ensinado a valorizar momentos simples, refletir acerca de nossos atos e buscar a felicidade, a reflexão permanente e praticar a empatia.


Nós do AKA aprendemos desde cedo a peregrinar pelo mundo em busca dos nossos sonhos, porque infelizmente a maioria de nós não tem oportunidades em nossa terra natal. É uma migração natural, condição para quem deseja um futuro melhor para si e para a família. E assim encaramos o desafio de peregrinar mundo afora, de carregar a saudade no peito muito cedo.


A vida aqui em BH e o esforço de alguns amigos, nos proporcionou construir um ambiente em que pudéssemos reforçar as nossas raízes e amenizar a saudade dos nossos pais e da nossa família, confraternizando, apoiando mutuamente e aprendendo com os mais experientes. Aprendemos a cuidar uns dos outros e assim o fazemos a cada dia mais e melhor.


Apesar de estamos falando de futebol, o ambiente do AKA nunca foi exclusivamente masculino. Por aqui sempre tivemos famílias, namoradas, parentes, amigos. Estamos expandindo e agora temos Associação, Projeto Social, escolinhas infantis e também nosso recém formado time feminino.


Ontem recebemos uma notícia que derrubou a todos nós e abalou nossos corações. Uma Akadiana, companheira de um dos nossos atletas. Pois é, desta vez não era um atleta do AKA. Mas o sentimento era de como se fosse, a dor era a mesma. Era uma pessoa querida, que chegou há pouco mais de um ano e que estava sempre tentando ajudar, apoiar e incentivar o nosso projeto. Estava sempre presente quando vinha a BH. E filha de amigos da minha geração (Leandro e Geórgia), de uma família que tenho enorme apreço e que para mim é como se tivesse visto nascer, afinal de contas, meu saudosismo vive ligado.


A percepção de que o AKA deixou de ser uma pelada de futebol para se tornar referência dos filhos e filhas do Vale está consolidada. Transcendemos as quatro linhas do campo, para abraçar o nosso propósito de ser referência em BH, de ser o pedaço do Vale na capital mineira.


Não podemos deixar de homenagear o que consideramos uma referência, a simbologia de que a renovação do nosso DNA e nosso desenvolvimento como entidade social, também passa pelas mulheres, assim como começou há 15 anos atrás com as esposas dos nossos fundadores que foram importantíssimas neste processo de construção da nossa agremiação.


É uma dor compartilhada por todos, também potencializada pela perda precoce do pequeno Vítor, primo de Luisa, de apenas 09 anos, neto do nosso amigo Sadi do ACA, uma verdadeira lenda do futebol e um ser humano maravilhoso.


Há uma semana perdemos outro pequeno guerreiro, o anjo Tulio Peçanha, escritor do livro “Joãozinho e o Vira-Latas”, que lutou muito pela vida contra um câncer e nos deixou uma mensagem de leveza, amor e empatia.


A vida é feita de exemplos e os verdadeiros heróis não usam capas, eles nos ensinam o verdadeiro sentido do amor, da felicidade e dos mais sublimes sentimentos. Cabe a nós compreender que esses heróis na verdade são anjos, que vêm para nos mostrar que a beleza está na simplicidade e nos pequenos gestos.


Escrevo com o coração dilacerado, pelo Túlio, pelo Vitor e pela Luísa, mas também pelo nosso povo do Vale do Jequitinhonha e do sul da Bahia, que rezam e oram tanto por chuva ano após ano, que para a nossa simbologia histórica sempre significou esperança e redenção, mas que agora, neste momento, tem trazido tristeza e desespero.


Mas mesmo assim, demolido, escrevo com o coração esperançoso, por acreditar em uma entidade maior, que para tudo existe um propósito e um ensinamento. Por crer que após a tempestade virá a luz. Que a dor sempre estará aqui presente, mas que estaremos mais fortes e iluminados.


A pandemia nos tirou da zona de conforto, nos desafiou, mas não devemos desistir ou reclamar. 2021 representou superação, resiliência, paciência, renovação. "Segue o jogo, segue a vida".


E que fique a lição, precisamos uns dos outros, precisamos do todo, necessitamos abraçar, acolher, cuidar. É momento de desapego, de união, de fraternidade. Ame, cuide, acolha. Sejamos mais humanos.


E aos amigos que partiram tão precocemente, o legado de vocês vai nos fortalecer, nos tornar mais fortes e unidos. Os olhos explodem aquilo que o coração transborda neste momento: saudade, amor e empatia e uma vontade enorme de abraçar e continuar a semear o bem e cuidar de quem precisa.


Meu abraço carinhoso e fraterno aos pais, familiares e amigos. Por aqui seremos sempre saudade e boas lembranças.


#valemospeloquesomos


“Não está longe de nós, quem está perto de Deus”


Em homenagem aos akadianos eternos

+ Luisa Ruas

+ Vitor Cassel

+ Tulio Rodrigues Peçanha


Com todo o meu coração, André Tixa.


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