Fatores de motivação para a prática dos jogadores de futebol das categorias de base

O Futebol, na sua essência, é um dos esportes que mais cativa às pessoas, especialmente os mais jovens. Esta modalidade funciona como elemento agregador e de entendimento entre povos. O poder do futebol consegue furar canais políticos e contribui para amenizar tensões entre povos em conflito (BENTO, 2001).


Um dos principais fenômenos de ordem psicológica investiga no esporte em geral e especificamente no futebol é a motivação. Ela esta presente em treinamentos, preleções, concentrações e principalmente nas competições, onde ocorrem vários fatores que podem provocar alterações no estado do atleta e da equipe (ANDRADE et al. 2010).


O estudo da motivação é um dos grandes temas da Psicologia e, também, a psicologia esportiva tem investigado os aspectos motivacionais que levam á prática esportiva, seja em nível de competição ou apenas de lazer ou recreação em jovens e adultos. O entendimento da motivação no esporte torna-se importante no momento em que enfocamos a motivação como um processo para despertar a ação ou sustentar a atividade (FERREIRA et al apud FIORESI, 1993).


Para (GOMES e CRUZ, 2001), o treino psicológico e o treino físico, técnico e tático, são domínios a cultivar separadamente. Pelo contrário, a preparação mental do atleta só funciona totalmente quando ela é testada e praticada nos contextos “naturais” de treino e competição. A motivação é essencial para garantir o foco do jogador, além de aumentar sua vontade de fazer o seu melhor em busca de suas conquistas, sejam elas pessoais e coletivas. Essa questão é tratada em maior quantidade, por meio de técnicas coletivas, o que não garante um trabalho plenamente eficaz, pois cada jogador apresenta suas próprias particularidades e reagem de modos diferentes.


Para Murray (1978), motivação é um fator interno que dá início, dirige e integra um comportamento de uma pessoa. Motivação não é algo que possa ser diretamente observado; inferimos a existência de motivação observando o comportamento.


A motivação é um dos conceitos mais referidos em desporto, utilizando-se quer para explicar comportamentos inapropriados ou de sucesso de atletas, quer ainda para justificar estratégias dos treinadores procurando aumentar o empenhamento dos seus jogadores (ALVES et al., 1996).


Segundo Ames (1992), os indivíduos que adotam objetivos mais orientados para a tarefa apresentam um padrão motivacional mais positivo, uma vez que valorizam a importância do esforço e do trabalho e são mais persistentes perante os desafios, os obstáculos e os insucessos.


Quando o atleta está motivado, ele treina com maior entusiasmo, tem maior confiança em si e eficiência na parte técnica, tática e física. Acredita-se que para ter sucesso no esporte um dos primeiros passos a serem dados é a motivação dos atletas (BANDEIRA, 2010).


Miranda e Ribeiro (1997) acrescentam que a motivação deve ser uma variável positiva durante os treinamentos e competições, constituindo sempre um grande impulso para futuros resultados. Contudo, apesar de a motivação ser considerada uma variável fundamental no desempenho esportivo, cada um deve desenvolve uma visão pessoal de como a motivação funciona, em razão dos vários motivos que levamos indivíduos a praticarem atividades esportivas e físicas.


A motivação se apresenta de duas maneiras, de forma intrínseca, partindo de cada indivíduo, e extrínseca, pela qual haverá uma amplitude de recompensas cujo objetivo principal não é somente o prazer de jogar, mas também provar toda sua capacidade de rendimento no esporte. (MACHADO, 2006)


Para Ruiz (1997) os motivos intrínsecos de uma pessoa são os comportamentos que essa pessoa realiza para sentir- se competente, habilidosa ou auto-realizada. Já as pessoas extrinsecamente motivadas tomam parte em uma atividade ou em um esporte por causa das recompensas externas que essa participação pode oferecer, como medalhas, dinheiro, admiração do público, entre outros. Esses dois tipos de motivação devem estar presentes e devem estar mantidos através de técnicas e de conversas do treinador com os atletas.


Segundo Samulski e Noce (2002), a motivação “é caracterizada por um processo ativo, intencional e dirigido a uma meta, o qual dependente da interação de fatores pessoais (intrínsecos) e ambientais (extrínsecos)”. De acordo com o modelo das determinantes da motivação, a motivação é formada por uma determinante energética (nível de ativação) e uma determinante de direção de comportamento (intenções, interesses, motivos e metas).


Segundo Silvia e Rubio (2003) atletas que possuem motivação intrínseca dedicam-se interiormente para a busca da determinada tarefa e para a competência. Porém, se não houver motivação, apesar de possuir muitas competências, o indivíduo pode não se envolver da maneira necessária à atividade, ou não realiza-la com o nível de qualidade que ele poderia alcançar caso ela estivesse presente.


Para praticantes do futebol existem dois diferentes indivíduos, os que têm sua motivação centrada no ego que precisam de recompensas extrínsecas para se sentir motivadas a praticarem a atividade, mas que ao fracassarem se desmotivam e até acabam abandonando a atividade, mas também há os indivíduos que tem a motivação centrada no grupo, que se motivam intrinsecamente, este ao se depararem com o fracasso tem maior chance de se superar na atividade, pois praticam pensando no grupo ou na realização de uma atividade (HIROTA; TRAGUETA, 2007).


Para Morais (2006) nos atletas, alguns motivos podem ter predominância sobre outros, acarretando assim, a direção de seu comportamento. Porém, certos objetivos atingem alguns deles em maior intensidade do que em outros, pelas diferenças da personalidade. Ou até mesmo, alguns atletas que sejam diferentes, podem realizar a mesma tarefa por razões diferentes, reproduzindo intensidades também diferentes. Por essa razão, os motivos podem variar de situação para situação, em um mesmo atleta.


Em um estudo de Sousa (2003) procurou verificar os motivos para prática junto de 192 jovens futebolistas entre os 15 e os 19 anos. De um modo geral, os resultados obtidos mostraram que os resultados mais importantes eram a Competência Técnica, a Competição e a Afiliação Geral. Por outro lado os motivos menos importantes foram o Estatuto e as Emoções.


O estudo sobre como os fatores motivacionais levam adolescentes e criança a se envolverem na prática de esportes pode ser útil para a elaboração de treinos estratégicos contribuindo no processo de ensino-aprendizagem, já que a aprendizagem e a motivação são processos interdependentes no homem. O conhecimento sobre elementos motivadores auxilia em planejamentos mais direcionados ao interesse do praticante aumentando a probabilidade de permanência esportiva (BERLEZE; VIEIRA; KREBS, 2002).


Resumindo, a análise da investigação sobre os motivos para a participação no desporto evidência vários motivos para a prática e competição desportiva. No entanto alguns parecem ser sistemática e freqüentemente referidos mais importantes. É o caso da melhoria de competências, divertimento, estar com os amigos, fazer novos amigos, experienciar desafios ou excitação, atingir o sucesso ou vencer e desenvolver/manter a forma física (CRUZ, 1996)


Resultados e discussão

Os dados mostram que a competência técnica na categoria Sub-15 é o principal fator de motivação entre os atletas analisados e em seguida a busca da aptidão física, a competição e a atividade em grupo foram os principais motivos verificados nesta categoria. Os menos verificados foram emoção, diversão o reconhecimento social e afiliação. Logo abaixo na categoria sub-17 o principal motivo é busca da competição analisado pelos atletas, e em seguida a competência técnica, aptidão física e atividade em grupo.


Em seguida os fatores menos analisados foram à diversão, emoção, afiliação e reconhecimento social.


Na categoria sub-15 a competência técnica pode ser analisada como uma questão citada a seguir como relata (SAMULSKI, 2002). Juntamente com a motivação, junto com a habilidade técnica, o condicionamento físico e autoconfiança, é fator preponderante para bom desempenho. Pode se considerar que os jogadores buscam nesta idade adquirir o melhor da sua competência técnica. Na categoria sub-17 ir à busca da competição foi o principal motivo abordado nesta idade, que pode se dizer muita vontade de vencer, conquistar títulos e buscar subir de categoria até se profissionalizar.

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