A Coragem de Andar Descalço
- ANDRE TIXA ORSINE MATOS

- 24 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Há espaço para todos que tiverem a coragem de desamarrar as botas pesadas dos julgamentos e tocarem o chão da realidade com a humanidade nua e crua.

Não me pergunte com qual pé eu começo a caminhada, se é com o direito ou com o esquerdo. Essa pergunta, hoje, perdeu o sentido. Ela busca rotular o movimento, quando o que importa, na verdade, é o caminho.
Em quase 20 anos de história no AKA, aprendemos algo muito mais valioso do que escolher um lado: aprendemos a andar descalços.
Andar descalço é um ato de coragem e simplicidade. É sentir a textura da terra, reconhecer o terreno onde pisamos e, acima de tudo, lembrar que somos feitos da mesma matéria. Quando tiramos os sapatos das convicções rígidas, sentimos o frio, o calor, a pedra e a grama. Sentimos a realidade do outro. Isso é empatia. Isso é acolhimento.
Vivemos tempos ruidosos, onde o fanatismo e a polarização se tornaram os novos cabrestos. Eles limitam a visão periférica, nos impedindo de ver o irmão que caminha ao lado só porque ele usa uma cor diferente ou reza uma oração distinta. A polarização nos vende a ilusão de pertencimento, mas nos entrega a solidão do ódio.
A verdadeira liberdade de pensamento não exige unanimidade. O consenso absoluto é a morte da inteligência. Mas atenção: ser livre para pensar não é um cheque em branco para ferir, denegrir ou excluir. Liberdade sem responsabilidade não é direito, é barbárie.
A nossa trajetória, rumo às duas décadas de existência, foi construída com base em três pilares que nenhuma ideologia pode derrubar: respeito, amor e amizade.
Aqui, não medimos a envergadura moral de alguém pelo pé que avança, mas pela mão que estende. Há espaço para todos que tiverem a coragem de desamarrar as botas pesadas dos julgamentos e tocarem o chão da realidade com a pele nua da humanidade.
Vamos caminhar? O CHÃO é firme e há lugar para todos.
André Tixa Orsine

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