top of page

O Paradoxo do Gari: Limpando o Mundo Enquanto o Lixo Humano se Acumula

Atualizado: 28 de ago. de 2025



Uma opinião pessoal (opinião) para a reflexão sobre a inversão de valores em nossa sociedade. O texto explora a banalização da vida em contraponto à supervalorização do supérfluo e a crescente influência do "lixo humano", convidando à redescoberta da empatia e da essência em tempos de superficialidade e ruído.


A imagem de um gari, em seu ofício digno e essencial, recolhendo o lixo que produzimos, sempre me remeteu a uma reflexão intrínseca sobre a nossa sociedade. Ele limpa o que descartamos, o que não serve mais, o que se torna peso. Mas, e o lixo que não pode ser recolhido por suas mãos? O lixo humano, aquele que se acumula nas mentes e corações, transbordando em atitudes que desafiam qualquer lógica de humanidade.


A notícia recente do assassinato de um gari por um "empresário" me arremessou a um abismo de desilusão. Não apenas pela violência absurda, mas pelo profundo paradoxo que ela escancara em nossa era. Como chegamos a um ponto onde a vida de um ser humano, que acorda cedo para tornar nossas cidades mais limpas, é banalizada a tal ponto, enquanto o supérfluo, o efêmero, o vazio, é supervalorizado e idolatrado?


É doloroso constatar que, neste nosso palco digital e frenético, quem exala desrespeito, ódio e arrogância muitas vezes ganha mais engajamento, mais holofotes, mais voz. A agressividade é confundida com força, a prepotência com sucesso. Em contrapartida, aqueles que dedicam suas vidas e seu tempo a promover impactos sociais positivos, a buscar igualdade, respeito e oportunidades genuínas, parecem relegados às margens, como notas de rodapé em um livro de egos inflados. Vemos, estarrecidos, figuras que nunca construíram nada de substancial, que jamais sentiram o peso de uma causa nobre, dando "aulas" sobre como ser bem-sucedido, como alcançar a fama e a fortuna, como manipular a realidade a seu favor. O lixo da superficialidade ganha voz e influência, enquanto a essência se esvai.


Este cenário me faz questionar: estamos sendo consumidos por um consumismo que nos é imposto, perdendo a conexão com a nossa própria essência humana? A empatia e o acolhimento foram trocados por conteúdos rasos e descartáveis, por uma competição incessante por curtidas e validação externa. Não é de se espantar, portanto, que estejamos testemunhando uma explosão de pessoas mentalmente afetadas, frustradas, ansiosas. O diálogo, aquele que se constrói no embate de ideias e na escuta ativa, tornou-se praticamente impossível. A arrogância e o desrespeito erguem muros intransponíveis onde antes havia pontes.


Por que chegamos a este ponto? Há competição até no lazer? Conseguiram "gameficar" tudo, inclusive a espontaneidade da vida? Em tempos onde todos impõem suas verdades com uma convicção inabalável, prefiro o silêncio. Prefiro me apegar aos meus propósitos, àqueles que me movem para a construção, para a gentileza, para a luz. Este não é um julgamento, mas uma reflexão, uma percepção e um sentimento que se manifesta diante do espelho social que nos é apresentado.


Apesar de tudo, não podemos desistir do ser humano. Pelo menos, não enquanto ele ainda se auto denomina humano. Ainda bem que, em meio a essa Babel de ruídos, prefiro a pureza de um sorriso de criança. Prefiro sentir a gratidão no peito por cada pequena benção. E, acima de tudo, prefiro saborear os momentos, aqueles que a vida nos oferece em sua simplicidade, e a companhia daqueles que realmente importam, que limpam, à sua maneira, o lixo que se acumula em nossos corações. Esses, sim, são os verdadeiros tesouros.


André Tixa Orsine

(texto revisado com auxílio de IA. Imagem de IA)

 
 
 

1 comentário


GINO PEDRO
GINO PEDRO
15 de ago. de 2025

Meu caro "Tixa" , boa tarde


seu texto é um sopro de lucidez em tempos de tanta poluição emocional e moral. Você conseguiu transformar uma tragédia em reflexão profunda, chamando atenção para o valor do essencial e a urgência de resgatar a empatia. Seu olhar crítico, mas ao mesmo tempo humano, não apenas denuncia a inversão de valores que vivemos, como também inspira novas posturas.


Seu trabalho no campo social já é, por si só, uma lição viva para a juventude — ensinando que grandeza não está no gramado ou nas quadras, mas no impacto real que deixamos nas vidas das pessoas. Através de suas ações, você planta sementes de consciência que, cedo ou tarde, florescem em mudanças concretas.


Porque,…


Curtir
whatsapp-logo-icone.png
  • Facebook
  • Instagram
  • YouTube
  • Twitter

© 2020 - AKA Associação dos K-iauzeiros Ausentes - Todos direitos reservados

bottom of page